Um blog para todos e ninguém, muito além do bem e do mal. Pode conter falhas, mas isso é tão humano. Demasiado humano. Caso eu digite errado, ofenda alguém ou mude de idéia posteriormente sobre algum assunto, já tenho minha desculpa: Assim falhou Zaratustra


























 
Arquivo (quase) morto.
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Todos os textos aqui presentes cujo autor não é citado são de minha autoria. Assim Falhou Zaratustra é alter-ego e pseudônimo de um pseudo-jornalista anônimo. Quase isso. Todos os direitos reservados, inclusive o direito de ir e vir. É proibida a reprodução total ou parcial deste Blog sem a citação do mesmo e do nome do autor. Um blog de Gérson Dalla Corte.

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Assim Falhou Zaratustra
 
Sexta-feira, Janeiro 31, 2003  
A saideira da madrugada de hoje é uma coisa inóspita. Poucos sabem, mas o Fagner é HEAVY METAL! Isso mesmo. Ninguém percebe, mas se você prestar atenção nas músicas, no fundo de algumas delas é possível ouvir guitarras pesadonas e distorcidas, num volume menor que o da música principal. ISSO NÃO É MENTIRA! Raimundo Fagner é heavy metal! É guitarra distorcida! É overdose de quentão! É pipoca na veia! É fogo na sanfona!

04:00 Falhe conosco:

 
Vamos deixar todo mundo deprimido agora. Esse texto foi rejeitado pelas revistas Sabrina e Julia, por ser meloso demais. Contra-indicado a portadores de diabetes por vários médicos e em análise pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para ser banido de farmácias, hospitais e salas de espera em geral. Leia apenas um parágrafo e observe se se manifesta algum tipo de reação alérgica. Caso ocorra, suspenda o uso imediatamente e procure um médico.

REMORSO
Peguei-a pela mão. Andávamos em silêncio, só o calor dos nossos corpos e a respiração acelerada eram sentidos. A sua face, tão delicada, seus olhos que penetravam em minha alma, seus cabelos como seda, agora pareciam interrogações, tentando achar respostas ou explicações plausíveis para o momento. Quando nossos lábios se tocaram pela primeira vez, parecia que o tempo havia sido suspenso, que não existia mais terra abaixo, nem céu acima. Eu poderia morrer naquele instante, pois morreria feliz. Nada era capaz de fazer nenhum mal, nem a mim, nem a ela. Éramos um só, onipotentes, unidos por uma ponte de felicidade chamada amor. Sua face morna parecia querer esquentar a minha, fria. Nossos corações saltitando garganta afora. Nossos braços entrelaçando-nos em lençóis de felicidade. A brisa fazia com que juntássemos mais e mais nossos corpos, mais e mais nossas bocas, mais e mais nossas vidas. A eternidade é alcançada durante o beijo. É no beijo que deixamos de ser animais, para sermos deuses. Deus e Deusa. Nós dois.

Infelizmente, não durou pra sempre, e agora nos perguntávamos o porquê. Era tão bom, tão gostoso, nos entendíamos perfeitamente. Mas por alguma razão inexplicável a nossa perfeição descobriu que era humana , e nosso falso endeusamento caiu por terra. Nos atropelávamos nas falas, atravessávamos o caminho um do outro, criávamos silêncios intermináveis e constrangedores. Mas tudo isso sem uma razão aparente. A orquestra de emoções havia desafinado. Continuamos caminhando em silêncio, pensando em possíveis soluções, pensando em inventar a máquina do tempo e retornar para aquele não tão distante passado, repleto de harmonia, pensando em como conversar sem magoar um ao outro.

Era quase sólido o silêncio entre nós. Sua mão parecia tremer entre a minha. Sentamos. Por um momento pensei ter ouvido um soluço. Passei meu braço ao redor de suas costas, encostando sua cabeça em meu ombro. E ela começou a chorar. Soluçava e chorava compulsivamente, e eu sem o que falar para consolá-la. Sua mão pegou a minha e apertou-a com força, como se fosse a âncora que a prendesse à terra firme, à vida. Não queria ficar à deriva. Eu era o seu cais. Sem cordas para amarrá-la a mim, sem palavras, nem forças. Por alguns instantes ficamos assim, ela soluçando, e eu parado, sem reação, tentando evitar magoar mais ainda a pessoa que tanto amei.

Depois de algum tempo, ela limpou as lágrimas e me olhou no fundo dos olhos, como se suplicasse por uma resposta.

-Por quê?

Eu me perguntava a mesma coisa. Por quê? Por que acabou tudo assim, de repente? Sem explicação, ou motivo, ou ato que merecesse esse desfecho? Por quê? Me sentia mal, por nós dois. Alguma coisa me dizia que eu era o culpado disso tudo. Mas o que eu via na face dela eram as mesmas feições que eu via no espelho. Uma interrogação, dúvidas e mais dúvidas, sentimentos confusos, explicações incompletas. Dividíamos a mesma angústia tentando encontrar alguma razão para explicar o fim de algo tão bonito e profundo como o que tinha acontecido entre nós. Éramos marionetes sendo manipuladas pelos nossos cérebros, que por algum motivo não revelavam a verdadeira causa desse desencontro de idéias.

-Por quê? - repetiu ela, e a única reação que pude manifestar a essa pergunta foi pegar a sua mão, beijar, e chorar. Ela voltou a soluçar, e ficamos ali, remoendo pensamentos, buscando sentido em meio à confusão generalizada em nossas cabeças, sentados naquele banco, cercados de árvores e pássaros.

Não me lembro por quanto tempo permanecemos assim, se minutos ou horas. Ou então dias. Mas ficamos lá, e até hoje meus pensamentos se voltam àquele dia com um misto de ternura e agonia, fazendo com que uma ponta de remorso apareça. É um dia para ser esquecido. Definitivamente.

00:06 Falhe conosco:

Quinta-feira, Janeiro 30, 2003  
Hoje foi um dia monótono. O lula fez aquele mesmo discurso de molusco com a boca cheia d'água, que ninguém entende nada. O Bush ameaçou o Iraque, pela enésima trilionésima vez. A globo passou uma matériazinha de esporte fraca como sempre. A única coisa diferente é que o Casoy não falou da Joana, a virgem, devido ao horário gratuito. Mas dessa vez a risadinha dele foi justamente por não ter falado na novela.

Cheguei à quarta e última parte do Assim Falou Zaratustra. Estou quase superando a mim mesmo. Tornar-me-ei a ponte para o Super-homem, que reinará sobre a terra. Só assim teremos uma vida justa no planeta. O eterno retorno chegará ao seu ápice e veremos o nascer de um mundo novo, e o crepúsculo de uma sociedade decadente e inepta.

Amo os que sucumbem, pois estes serão os ascendentes do Super-homem.
Assim Falhou Zaratustra.

23:36 Falhe conosco:

 
Só pra continuar minha tese sobre os "tiras": devem ter inventado essa palavra pra compensar o tempo na dublagem do inglês cop, e como não tinha similar em portugês, inventaram tira. Quer dizer, similar tem, mas ninguém vai dublar um filme e dizer "lá vem os porco!". E se pensarmos assim, a tradução de robocop teria que ser robotira. Só que fica meio gay. Quem é você? Eu sou o Robotira. Ui! ehehe

Agora, poderiam ter inventado algo melhor. Acho que tiraram a palavra tira pq a polícia tira o revólver e atira. Muito podre essa. Mas tem a ver. Infelizmente não me vem idéias pra mudar isso. Sugestões para substituir a palavra tira nos filmes, coloquem nos comentários, aqui em baixo! Vamos fazer um movimento! Abaixo o "tira"!

Assim falhou Tustra

03:41 Falhe conosco:

 
Um dia eu me acordei mais cedo. Gritei comigo mesmo, briguei comigo. Xinguei-me sem dó. Mas me acordei. Porém isso não importa. A verdade se escondeu e foge em direção a outro lugar, inútil, inútil, como os planetas. Pensem na inutilidade da existência dos planetas. Para que servem tais bolas flutuantes a não ser pra NASA gastar uma grana absurda pra ver seus foguetes explodirem no lançamento? Eu na verdade não acredito em planetas. Acho que foram invenções de algum maluco, talvez o mesmo que inventou os duendes. E embora eu não acredite em duendes, talvez eles morem nos planetas. Seres que não existem em lugares que não se vê.

Outro absurdo do mundo de hoje é a linguagem dos filmes de TV. É impressionante a quantidade de palavras que inventam só para esse fim. Alguém por acaso já ouviu alguma pessoa falar em "tira" a não ser na TV? "Os tiras estão vindo!", ¿Eu sou um tira¿. Não existe isso! Queria saber de qual mente brilhante saiu tamanha genialidade. Por falar nisso, TV é um veículo abundante em exemplos escalafobéticos. Pra começar me pergunto a utilidade daquele vídeo show da Globo. O que interessa saber de novela, como se não bastasse a novela existir por si só, é preciso agüentar detalhes sobre elas tão úteis quanto o depoimento de um palito de fósforo.

Eu me indigno myself... preciso dormir que já é tarde.
See ya.
Zaratustra

03:27 Falhe conosco:

 
Errei. Ele não fala do Veríssimo. Isso não quer dizer que o Verissimo não escreva.
Hoje não tem crônica (Mário Prata)

Pode até não ter, mas que o título é chamativo (além de apelativo), é. Tanto é que você leu - pelo menos - até aqui.

Todos nós cronistas esbarramos no branco. Outro dia foi o Ubaldo. E olha que o espaço dele é bem maior. E o branco dele foi brilhante.

Me lembro que uma vez o velho - ainda não tão velho - Rubem Braga num dos seus brancos escreveu sobre uma borboleta. Olho em volta, não tem borboleta nenhuma na minha imaginação. Me lembro do mestre Fernando Sabino ao encher uma página inteira da Manchete sobre um sujeito que começava um discurso dizendo: meus senhores e minhas senhora, eu não sou daqueles que... Aí o orador parou, pois não sabia se dizia daqueles que diz ou daqueles que dizem. Ficou reiniciando o discurso várias vezes, até encerrar, dizendo:

meus senhores e minhas senhora, enfim, eu não sou daqueles!

O pior do branco não é a ausência da idéia central. É o cronista começar a ficar aflito, a suar (como quando não consegue ter uma relação, digamos, sexual) e aí começa a pensar em milhares de coisas para se estimular. E, quanto mais exercita, mais tenso vai ficando. Principalmente quando chega um e-mail da arte do jornal, dando um toque: e aí, a crônica sai ou não sai? É quando broxa de vez e jura que foi a primeira vez, que isso nunca havia acontecido.

A primeira coisa que começa a pensar são nos e-mails e cartas para a redação perguntando até ao dono do jornal, como é que se permite que um sujeito fique aqui escrevendo sobre o nada.

Pois é no nada que o cronista se esbalda. Quando consegue transformar numa pequena e modesta arte algo do banal, do cotidiano. E ter um branco, broxar, é do cotidiano embora não muito banal.

Agora chegou o meu filho aqui atrás - que também escreve crônicas na revista Capricho -, olhou por cima da minha cabeça e resmungou: pô, pá, outra sobre o branco?

- Como outra? Tá doido?

- Outro dia mesmo você escreveu uma.

- Com, outro dia? Anos, anos!

- Sei não.

Me deu culpa.

Por que a culpa? É o que eu tenho perguntado à minha psicanalista.

Todo mundo acha que a pessoa que vive de criar, ou seja, um criador, não faz nada o dia inteiro. Fica só pensando. É verdade. O problema é que ninguém considera o trabalho de pensar como ofício. Daí a culpa ensimesmada. Será que só pode ser considerado trabalhador o sujeito que fica o dia inteiro numa mesa de escritório, ouvindo pela janela "olha a uva de Atibaia", "melancia barata, melancia barata"?

Você vê uma frase num outdoor tipo "refresca até pensamento". São três palavrinhas mágicas. O sujeito que inventou isso deve ganhar uma fortuna por mês. O que ninguém entende é que ele trabalha há 20 neste ofício. Pode ser que a frase tenha saído de um estalo. Mas um estalo 20 anos depois. Não precisa ser nenhuma Brastemp para se ter uma idéia dessas. Ou precisa? Mas o povo pensa: ganhar essa fortuna para escrever uma bobagem dessas?

Cada vez que lanço um livro, estréio uma peça de teatro ou vou ao cinema ver um filme com roteiro meu, me dá pânico. Fico pensando: o pessoal vai pensar que eu escrevi isso na maior moleza. Que eu sou um vagabundo. E eu, realmente, fico achando que sou. Algumas mulheres trabalhadeiras já me jogaram isso na cara. E tome divã!

Para aliviar meu sofrimento, penso no Romário que trabalha umas dez horas por mês e ganha 100 mil dólares. Será que ele tem culpa? O Chico Buarque, que fica meses sem "trabalhar", jogando futebol, será que ele acorda com culpa? E o Erasmo Carlos, tem uma culpa tremendona?

Juro que eu trabalho, gente. Penso, invento, crio. E esses funcionários fantasmas, que trabalham em várias repartições e nunca comparecem? Será que eles não têm culpa? Será que só eu me sinto culpado neste país?

Conta uma lenda que quando Einstein esteve no Brasil foi recepcionado pelo Austregésilo de Athayde. O imortal andava com um caderninho para ir anotando as idéias para seus livros e ensaios. Perguntou se o genial Einstein não fazia o mesmo. No que ele respondeu: "Não. Só tive uma idéia na vida." E o pior, é que essa idéia tinha só três letrinhas. Deve ter morrido, relativamente, sem culpas.

Foram anos e anos de culpa para conseguir escrever esta crônica. Mas saiu.

Mas não adiantou nada. Continuo com culpa.

02:06 Falhe conosco:

 
Caraca...à tarde tinha pensado numa coisa pra colocar aqui, mas acabei me esquecendo. O que era?
Também, já tô ficando velho...a memória falhando, dores nas costas, a careca crescendo, a barriga também...O mais legal das pessoas notarem a sua protuberância abdominal é você poder falar: é...agora tô me dedicando à criação de barriga. Ou, melhor ainda: Eu não engordei, estou em fase de expansão para melhor atendê-las.

Nada melhor como um dia após o outro. Minto. Nada melhor que um dia após a noite. Um dia após o outro ficaria muito estranho, e difícil de dormir com a luz lá de fora. Preciso urgentemente parar com essas piadinhas sem-graça. Tá virando vício.

A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa é não ter o que escrever, quando precisa escrever. E não tem coisa mais batida do que escrever sobre estar sem idéias. O Mário Prata fez uma crônica sobre quem e o que se escreve quando não se tem o que escrever. Tipo uma coletânea, the best of. Citou vários autores, dentre eles o Verissimo, que é um mestre nessa arte. Na verdade, acho que ele todo dia escreve coisas sem ter o que escrever. E daí acaba saindo engraçado. Eu sou ao contrário. Tento soar engraçado e fico pedante. Mas na verdade eu nem precisaria escrever aqui. Nem sei porque fiz esse grogue! Aliás, sei. Dois motivos: 1- a minha colega Karen (visitem o blog dela www.karushenka.blogger.com.br) me estimulou e 2-fazia algum tempo que eu queria me dedicar, pelo menos um texto por dia, a falar sobre qualquer coisa, comentar algum assunto da tv, etc e tal. Só que eu não conseguia. Um dos poucos textos que fiz foi aquele do jornalismo que tá ali embaixo. Pra quem faz jornalismo até é bom possuir um blog. A gente aprende a manter uma certa constância de freqüência (isso é redundância?)(Acho que é.)(É sim.) ao escrever textos, aprende a não ter vergonha do que escreve, pq jornalista com vergonha do seu texto é o fim da picada. E, quando ainda tem vergonha, e não quer admitir, a gente aprende a criar pseudônimos a pretexto de dizer que é apenas criação literária e não quer se expor ainda, pois está em fase de aprendizado.

Porém, não era isso que eu queria falar. Bom, vou tentar achar a tal crônica do Mário Prata. Já volto aqui.

01:08 Falhe conosco:

Quarta-feira, Janeiro 29, 2003  
Chega de seriedade. Esse cara manja de escrever. Luís fernando Verissimo. Palmas!

Alfabeto


Do baú:

A - Primeira letra do alfabeto. A segunda é "L", a terceira é "F" e a quarta é "A" de novo.

AH - Interjeição. Usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as inicias de Alfred Hitchcock.

AHN? - O quê? Hein? Sério? Repete que eu sou halterofilista.

AI - Interjeição. Denota dor, apreensão ou êxtase, como em "Ai que bom, ai que bom". Arcaico: Ato Institucional.

AI, AI - Expressão satírica, de troça. O mesmo que "Como nós estamos sensíveis hoje, hein, Juvenal?"

AI, AI, AI - Expressão de mau pressentimento, de que em boa coisa isto não pode dar, de olhem lá o que vocês vão fazer, gente.

AI, AI, AI, AI, AI - O mesmo que "Ai, ai, ai", mas com mais dados sobre a gravidade da situação. Geralmente precede uma reprimenda ou uma fuga.

B - Primeira letra de Bach, Beethoven, Brahms, Bela Bartók, Brecht, Beckett, Borges e Bergman mas também de Bigorrilho, o que destrói qualquer tese.

BB - Banco do Brasil, Brigitte Bardot, coisas desse tipo.

BELELÉU - Lugar de localização indefinida. Em alguns mapas fica além das Cucuias, em outros faz fronteira com Cafundó do Judas e Raio Que os Parta do Norte. Beleléu tem algumas características estranhas. Nenhum dos seus matos tem cachorro, todas as suas vacas estão no brejo - e todos os seus economistas são brasileiros.

C - Uma das letras mais populares. Sem ela não haveria carnaval, caipirinha, cafuné e crédito e a coisa seria bem mais complicada.

CÁ - Advérbio. Quer dizer "aqui no Brasil". Também é o nome da letra K, de kafkiano, que também quer dizer "aqui no Brasil".

CÊ - Diminutivo de "você", como em "cê soube?" ou "cês me pagam". Também se usa "cezinho", mas em casos muito particulares, a sós e com a luz apagada.

CI - Ser mitológico. Na cultura indígena do Amazonas, a mãe de tudo, a que está por trás de todas as coisas, a responsável por tudo que acontece (ver CIA).

CO - "O outro". Como em co-piloto (o outro piloto), coadjuvante (não o adjuvante principal, o outro) e coabitação (morar com a "outra") CÓ - O singular de "cós", como em "cós das calças", que até hoje ninguém descobriu o que são.

D - 500 em latim. Vale meio M, cinco Cs e dez Ls.

DDD - Discagem Direta a Distância, ou Dedo Dolorido De tanto tentar.

DE - Prefixo que significa o contrário, o avesso. Como em "decúbito", ou com o cúbito para cima.

E - Conjunção. Importantíssima. Sem o E, muitas frases ficariam ininteligíveis, dificultando a comunicação entre as pessoas. Em compensação, não existiriam as duplas caipiras.

E? - E daí? Continue! Qual é a conclusão? Qual é o sentido dessa história?

Onde você quer chegar, pombas? Vamos, fale, desembuche.

É - Afirmativa, confirmação, concordância. Também usado na forma reflexiva ("Pois é"), na forma interrogativa ("É?"), na forma reflexiva interrogativa ("Né?") e na forma interrogativa retórico-histriônica reflexiva ("Ah, é?").

É... - Com reticências, o mesmo que "Pois é", mas como expressão de desânimo ou resignação filosófica , muito usado por torcedores do Palmeiras e em comentários sobre o ministério do Lula.

F - Antigamente, escrevia-se "ephe".

FH - Em desuso.

GHIJKLMNOPQRSTUV - Letras que precedem o W, o X e o Z e sem as quais nenhum alfabeto estaria completo W - De "Wellington" ou "Washington". Só é mantida no alfabeto brasileiro para ser usada por jogadores de futebol, que têm exclusividade.

X - No Brasil, "queijo".

Z - "S" depois de um choque elétrico.

ZÉ - A gente. Ver também "Mané".

ZZZZ - Sssshhhh!

02:18 Falhe conosco:

Terça-feira, Janeiro 28, 2003  
Percebi que tô colocando muitas coisas de outras pessoas e poucas minhas por aqui. E daí? O grogue é meu!

Mas sei lá...ainda não me sinto à vontade com esse tal de brog... mormente porque ele parece feito para escalafobéticos para preencher o vácuo necessário da sua pessoa com bazófias e prosápias totalmente vazias...mas talvez eu esteja enganado nessa minha conclusão. Precipitação não é apenas uma qualidade das gotas de chuva.

Enquanto eu erro aqui e ali, vou colocar algo interessante aqui nesse frog.E o que é melhor: algo meu!


O ALIENÉRGICO ou A NOVA RELIGIÃO

No caos me sinto à vontade
a liberdade nos livra de tormentos
a veia pulsa rápida e lentamente
à procura de algum diagnóstico inteligível

Pareço-me um tanto prolixo
me julgam bastante coeso,
me tacham de doidivanas,
de idéias insanas,
contudo me sinto preso.

Quem sabe serei um alienérgico estapafúrdio
perecendo à beira da margem
Quem sabe (?)
sou o Salvador de uma religião ainda não inventada.
Quem sabe?

Posso ser um mendigo,
esmolando atenção para mim:
com minhas tralhas, minhas roupas
e meus poemas esfarrapados.

Talvez me inventaram, e eu ainda não sei...
talvez eu a tenha inventado, e não tenha percebido
que você não existe realmente.

Minhas horas passam mais rápidas,
meu fim chega mais depressa,
minhas piadas tornam-se sem graça,
meus poemas repetitivos
redundam-se em distorções sem nexo
e minha falsa erudição se perde
no momento da minha primeira tentativa de ser algo
ou alguém.

Ou, quem sabe(?),
estou escrevendo novas asneiras
para o bem da humanidade
e para a paz no universo.

Amém!

Assim falhei.

23:53 Falhe conosco:

 
Pra finalizar:
"Quem sabe o inacreditável credite sua crendice na crença de que a gente possa acreditar no incrédulo pensamento de que não acreditamos em nada." - Assim Falhou Zaratustra

03:18 Falhe conosco:

 

Engenheiros do Hawaii
Muita gente não gosta, inclusive a minha cara colega Karen (que disse que o Gessinger tem a voz enjoada). Mas, mesmo assim, aqui vai um trecho de uma música, aproveitando o gancho de como perder a si mesmo em 7 atos (abaixo)

Só depois de perder você descobre que era um jogo
Um jogo que não acaba nunca
nunca acaba empatado
Se foi um jogo você ganhou, eu perdi a direção
Se foi um sonho, se foi o céu
Eu não sei
Eu que não sei perder perdi o sono
Na escuridão
Eu que não sei perder perdi o medo da escuridão
Da escuridão

02:44 Falhe conosco:

 
Isso retirei do jogo Diablo, um cráçico com Ç maiúsculo!

THE HALLS OF THE BLIND

I can see what you see not.
Vision milky then eyes rot.
When you turn they will be gone,
Whispering their hidden song.
Then you see what cannot be,
Shadows move where light should be.
Out of darkness, out of mind,
Cast down into the halls of the blind.

Assim Copiou Zaratustra

00:28 Falhe conosco:

 
Brog
Bóris - O mais interessante do jornal da Record não são as notícias nem o próprio Bóris Casoy, que respeito muito aliás, apesar de discordarmos em algumas questões. O que me prende ao jornal, que me segura até o fim, é ver o grande Casoy, ao finalizar a edição do dia, dizer, com a cara mais séria do mundo (mas com um sorriso de monalisa, só prestar atenção):
- Este foi o Jornal da Record. Assista agora à novela Joana, a virgem.
Muito bom!

Mas hoje o Casoy se superou. Além da virgem, fez um comentário muito podre, por assim dizer: quando falava da torta que o Genoíno recebeu na cara, falou "imagina se ele fosse diabético"(?!). E eu com isso, se ele fosse diabético? Minha vó é diabética, e daí? Interfere no quê? Não vai ter guerra no Iraque por causa disso? Ou foi pra fazer propaganda da veja, que tem na capa diabetes? Que interesses estão escondidos por detrás dessa frase? Por quê as assistentes do Chacrinha eram as chacretes e as do Diabo não são as diabetes? Por quê fico fazendo perguntas atrás de perguntas sobre uma frase idiota? Por quê a galinha atravessou a rua? Mas falemos de um outro amigo nosso, o camarada George W. Bush.

Bush, Bush. My friend Bush! Stop beating around the bush. Quando penso nos EUA e em seu queridíssimo presidente, sempre me vem um pensamento tão comum aos filmes e à vida real americana: atiradores de elite, ou mesmo loucos que, de longe, atiram e matam quem odeiam e quem adoram, sejam presidentes, artistas ou os próprios familiares. Porém é improvável que isso aconteça com o "grande" líder mundial (um intelectual! mestre na arte da educação e diplomacia. Nunca se meteu na vida de ninguém!). Todos os atiradores devem estar do lado dele.

Agora o momento José Simão. Não sei se ele falou isso alguma vez, nem me interessa. O que importa é que cheguei a essa conclusão sozinho. A novela Esperança, apesar da Globo anunciar o contrário, não vai acabar. É que a Esperança é a última que morre. (só falta me atirarem uma buemba agora)

Esse comentário era pra ser mais engraçado. Pra finalizar, uma frase que li num banheiro de bar, quando eu, já meio de pileque, e concentrado em acertar o jato no recipiente, li na parede: "Os demônios chamam de sofrimento infernal. Os anjos de alegria celestial. E os humanos chamam de amor". Mudou completamente minha vida! Assim que saí do banheiro esqueci a frase e voltei a beber. Mas o que importa é que ela voltou à minha cabeça, não sei como. E vamos acabar logo com essa encheção de saco.

Como fala o professor Pasquale Cipro Neto:
-É isso.

00:02 Falhe conosco:

Segunda-feira, Janeiro 27, 2003  
Já que tô aqui enrolando mesmo, vamos mandar um trecho do Nietzsche.

Nas Ilhas Bem-Aventuradas
"Os figos caem das árvores: são bons e doces; e conforme caem assim se lhes abre a vermelha pele. Eu sou um vento do Norte para os figos maduros.
Assim como os figos, caem em vós estas práticas; recebei o seu suco e a sua doce polpa. Em torno de vós reina a tarde como um céu sereno. Vede que plenitude em nosso redor! E que belo, do seio da abundância, olhar para fora, para os mares longínquos!
Noutro tempo, quando se olhava para os mares longínquos, dizia-se: "Deus"; mas agora eu vos ensinei a dizer: "Super-homem". Deus é uma conjectura; mas eu quero que a vossa conjectura não vá mais longe do que a vossa vontade criadora. Poderíeis criar um Deus? Pois então não me faleis de deuses! Poderíeis, contudo, criar um Super-homem.
Talvez vós o não sejais, meus irmãos! Podeis transforma-vos em pais e ascendentes do Super-homem: seja essa a vossa melhor criação.
Deus é uma conjectura; mas eu quero que a vossa conjectura se circunscreva ao imaginável.
Poderíeis imaginar um Deus? Signifique para vós a vontade de verdade; que tudo se transforme no que o homem pode pensar, ver e sentir! Deveis cuidar até o último os vossos próprios sentidos!
E o que chamáveis mundo deve ser criado já por vós; a vossa razão, a vossa imagem, a vossa vontade, o vosso amor devem tornar-se o vosso próprio mundo. E, verdadeiramente, será para ventura vossa!
Vós, que pensais e compreendeis como havíeis de suportar a vida sem essa esperança? Não deveríeis persistir no que é incompreensível nem no que é irracional.
Hei de vos abrir, porém, inteiramente o meu coração, meus amigos; se existissem deuses como poderia eu suportar não ser um deus?! Por conseguinte, não há deuses.
Fui eu, na verdade, quem tirou essa conseqüência; mas agora é ela que me tira a mim mesmo.
Deus é uma conjectura; mas, quem beberia sem morrer, todos os tormentos desta conjectura?
Acaso se quererá tirar ao criador a sua fé, e à águia o seu vôo pelas regiões longínquas?
Deus é um pensamento que torce tudo quanto está fixo.
Quê!? Não existiria já o tempo, e todo o perecível seria mentira?
Pensar tal produz vertigem nos ossos humanos e máuseas no estômago; verdadeiramente, pensar assim é como sofrer modorra.
Chamo mau e desumano a isso: a todo esse ensinamento do único, do pleno, do imóvel, do saciado, do imutável.
O imutável é apenas um símbolo! E os poetas mentem demais.
As melhores parábolas devem falar do tempo e do acontecer; devem ser um elogio e uma justificativa de tudo o que é perecível.
Criar é a grande emancipação da dor e do alívio da vida; mas para o criador existir são necessárias muitas dores e transformações. Sim, criadores, é mister que haja na vossa vida muitas mortes amargas. Sereis assim os defensores e justificadores de tudo o que é perecível. Para o criador ser o filho que renasce, é preciso que queira ser a mãe com as dores da mãe.
Em verdade, o meu caminho atravessou cem almas, cem berços e cem dores de parto. Muitas vezes me despedi; conheço as últimas horas que desgarram o coração. Mas assim o quer a minha vontade criadora, o meu destino. Ou, para o dizer mais francamente: esse destino quer ser minha vontade. Todos os meus sentidos sofrem em mim e estão aprisionados; mas o meu querer chega sempre como libertador e mensageiro de alegria.
"Querer, libertar": é essa a verdadeira doutrina da vontade e da liberdade; tal é a que ensina Zaratustra.
Não querer mais, não estimar mais e não criar mais! Ó! fique sempre longe de mim, esse grande desfalecimento.
Na investigação do conhecimento só sinto a alegria da minha vontade, a alegria do engendrar; e, se há inocência no meu conhecimento, é porque nele há vontade de engendrar.
Essa vontade apartou-me de Deus e dos deuses. Que haveria, pois, que criar se houvesse deuses?
A minha ardente vontade de criar impele-me sempre de novo para os homens, assim como é impelido o martelo para a pedra.
Ai, homens! Uma imagem dormita para mim na pedra, a imagem das minhas imagens. Ó! haja de dormir na pedra mais feia e mais rija!
Agora o meu martelo desencadeia-se cruelmente contra a sua prisão. A pedra despedaça-se: que me importa?
Quero acabar esta imagem, porque uma sombra me visitou; qualquer coisa muito silenciosa e leve se dirigiu para mim!
A excelência do Super-homem visitou-me como uma sombra. Ai, meus irmãos! Que me importam já os deuses?"
Assim falou Zaratustra.

Friedrich Nietzsche - Assim Falou Zaratustra

E Assim eu falhei

14:56 Falhe conosco:

 
tá meio estranho, mas já dá pra comentar! Ae! superei a mim mesmo e à minha ignorância em html, e agora sou um super-homem

Assim não falhou (desta vez) Zaratustra

14:51 Falhe conosco:

 
Tentando turbinar o blog...
14:47 Falhe conosco:

 
O texto aí de baixo nem eu lembrava que tinha escrito. Foi na época da liminar, e não da decisão final. Dei uma retocada nele, mas acaso apareça escrito liminar em algum lugar, me desculpem.

Assim Falhou Zaratustra

14:27 Falhe conosco:

 
Jornalistas necessitam mesmo de diploma?

A questão voltou à tona depois que a exigência do diploma foi derrubada pela digníssima juíza Carla Rister. Mas o que acontecerá agora que o diploma não é mais requisito obrigatório? Várias hipóteses podem ser formuladas.
Se pensarmos nos estudantes de jornalismo, e nos colocarmos em seus lugares, entraremos em desespero, pois vê-se anos de esforço e (muito) dinheiro gasto para, na hora da contratação, perder uma vaga para alguém que pode até ser menos qualificado, e que tenha conseguido tal emprego sem conhecer a função, apenas por indicação. Porém não deve-se pensar que o diploma de jornalista é apenas um instrumento de reserva de mercado. É um instrumento de valorização profissional. O jornalista foi formado para trabalhar para a população, e a universidade dá todo o background para que o profissional cumpra sua função social adequadamente. Porém essa decisão da juíza possibilita que muitas pessoas despreparadas ou até mal-intencionadas cheguem mais facilmente a uma profissão que exige muitas responsabilidades.
Uma outra solução ao problema, que eu penso ser a mais sensata, vai totalmente contra a decisão da Sra. Rister. Defendo o jornalismo como um curso de pós-graduação. Tenho vários argumentos: primeiro, aumentaria consideravelmente o nível dos programas jornalísticos e em periódicos. Seríamos presenteados em não ouvir ou ler tanta baboseira como acontece hoje. Segundo, facilitaria a viabilidade de revistas, jornais e programas jornalísticos especializados, já que, ao invés de contratar um jornalista que pouco ou nada conhece sobre medicina, por exemplo, o próprio médico se especializaria em jornalismo e montaria sua revista de medicina, ou sobre advocacia, engenharia, etc. A informação seria escrita por alguém que entende realmente do assunto, no caso, um médico, e preparada para passar a informação da melhor maneira. Diminuiria a possibilidade da informção ser distorcida por falta de conhecimento técnico sobre o assunto e também reduziria o número de intermediários entre a fonte e o leitor
Enfim, o que falta mesmo em nossos amigos do judiciário, e colegas jornalistas em geral, é vergonha na cara e vontade de elevar o nível intelectual do brasileiro em geral.

14:26 Falhe conosco:

Domingo, Janeiro 26, 2003  
Super-Homem derrotou Bizarro hoje de manhã. Por incrível que pareça, o bizarro do novo desenho tá mais velho, mais pálido e não está tão quadrado. E o logotipo dele não é um Z como na antiga liga da justiça, é um S.
Mytzplick também mudou. Agora ele tá careca e baixinho, nem parece o mesmo. E não fala mais o próprio nome ao contrário. Tá parecendo o Hortelino do desenho do pernalonga.
E o Super-Homem tá de cueca preta. Acho que não vendem mais a vermelha, apesar do Bizarro usar uma.

Mas isso tudo é apenas um prelúdio pra eu falar que os pais do Super-Homem superaram a si mesmos, como disse Nietzsche. E criaram o Super-Homem, lógico. Agora, não sei se o tal Cark Kent é viado ou não, mas eu não deixava passar a Lois Lane dando mole daquele jeito. O mundo que se exploda! ehehe

Assim Falhou Zaratustra

18:52 Falhe conosco:

 
COMO PERDER A SI MESMO EM 7 ATOS

ATO I - A Felicidade Inebriante ou A Vontade de Não-Ser

Nas horas escuras de dúvida e temor
e desejo de viver
Insurge-se contra mim
e me atropela
A vontade de não-ser

Das profundezas mais sombrias
e execradas de meu pensamento
surge ela, fingindo não ser
para ficar

Forçando-me contra meu abismo
e sucumbindo-me às suas vontades

A vontade de não-ser toma conta de mim
e me governa

Abusa do meu corpo e do meu cérebro
obtém o que quer e quando quer
Os fins justificam seus meios
sem meio-termo, nem devaneios
e sem ao menos ligar para as conseqüências

O ápice da vontade de não-ser
inebria de uma forma o meu ser
que, por estar vivo no outro dia
posso considerar-me um vitorioso

Triste, porém, é saber por vozes do além
o que a vontade de não-ser
provocou em mais alguém


ATO II - Um Sentido Escondido

Assim como sucumbo à vontade de não-ser
sucumbo também à dúvida
que me dilacera atrás de respostas
e de defesas para meu corpo

a memória castigada em sua via-crúcis semanal
é pouco mais que nada:
é uma pegada na lama
enquanto chove
é uma gota de água
na imensidão do mar

as escoriações, os odores,
as sujeiras e as dores
são parcos indícios
de coisa alguma

as falas confusas, flashes de cenas
que bem poderiam ser de um filme,
ou de um sonho,
mais me atormentam
que me acalmam

e a angústia de não ser ninguém
me abraça e me acolhe
com seu calor, seu aconchego
e suas canções de ninar


ATO III - Um Motivo Qualquer

Tudo começa na hora do sonho
que me excita pensamentos e imagens
Pessoas e lugares desfilam em meu córtex
e, violento e semi-adormecido,
aceito dos delírios as provocações
Sem pestanejar

Ou então não é num sonho,
é num convite, numa pergunta
e perdido e sem opção
me atiro de cabeça
na ignomínia desenfreada e sem volta
Sem pensar

Ou então é só,
enquanto eu, pusilânime,
me deleito na minha necessidade
e no meu vício de solidão
que me impelem a ser quem não sou
Sem questionar

Pode ser um sonho acordado
enquanto olho o horizonte
fundo, do outro lado
e aceito distanciar-me de mim
Sem piscar

Ou são apenas desculpas para eu não precisar admitir minha covardia perante a vida.


ATO IV - Um Estímulo Podre e Desleal

Uma vez fora de mim
qualquer bobagem torna-se grandiosa
e qualquer olhar transfigura-se em amor
qualquer mulher em amante
qualquer sussurro, um convite

E quanto mais me suicido,
mais me maldigo por dentro
e, concomitantemente,
mais ódio e raiva transbordam de mim
e me estimulam a mudar-me,
ainda mais, a personalidade

No final
todos são procazes
(inclusive o mais santo)
e todos suscetíveis a opróbrios
tão voláteis quanto meu humor
e tão vazios
quanto eu


ATO V - O Desespero Pós-Felicidade

O ato de acordar talvez seja o mais amargo
e acre
depois da felicidade inócua

Perdido e sem ação, lamento
e retorço as memórias
e o corpo
numa vã tentativa de retroagir
e, sem sucesso,
resigno-me e sofro,
enfim,
o castigo que mereço

Meus fantasmas, sarcásticos,
não perdoam nem mesmo meu estado de inação
e fraqueza

Minhas sombras e meus fantasmas
me subjugam e me desequilibram
impiedosos
Meu ódio é inversamente proporcional
ao meu conhecimento e às minhas conclusões
sobre minha própria felicidade

Mesmo nosso julgamento das coisas
não tem valor quando não se tem noção
do que se perde
e do que se é


ATO VI - A Angústia Premeditada
Na montanha e na caverna
de meu desespero
os corvos, os abutres
e os urubus
devoram a carne pútrida
da minha felicidade

Morreu em êxtase:
ébria e dormitante
Morreu desgostosa:
só e iludida

Morreu.

Em seu lugar
nasceu uma angústia,
melancólica e sufocante,
cujo sabor
eu já sentira outrora

Senti-me repetindo
uma mesma vida
Revivendo meu início,
rebobinando e reiniciando
a mesma fita

Senti-me pedante
como todas as redundâncias
Senti-me enjoado
como todas as repetições
Senti-me tonto
como tudo o que gira e não consegue parar

E preso à essa angústia
renasci igual e tão fútil quanto antes

Todas as vidas que vivi
e que vivo
têm o mesmo gosto insosso
e a mesma cor amarelada

Todos os dias em que me vejo no espelho
enxergo uma caveira
que acena e ri-se de mim

Corro para longe
e, à medida que me afasto,
aproximo-me mais do que tanto fujo
e do que tanto temo:
A minha verdade

O único modo de não encontrá-la
é esconder-me e,
abraçado à angústia,
fingir não ser
para ficar

Viver outras vidas,
mas ficar.


ATO VII - O Fim do Ser Enquanto Dono de Si Mesmo
O que hei de chamar minha vida?
Eu? O que vivo?
Minhas lembranças?
O que penso?

O que hei de chamar minha vida?
E o que hei de chamar eu mesmo?
Quem há de saber minha verdade,
a não ser a própria verdade?

Estou desenganado.
Já desisti de ser eu mesmo.
Não me reconheço em meus atos
nem em minhas palavras.
Muito menos no espelho

O espelho da caveira claudicante
deve representar os meus não-seres,
os meus refúgios da verdade,
mas não pode representar a mim!
Nego-me a aceitá-la como meu reflexo,
ainda que verdadeiro!

Antes renegar o verdadeiro eu
e tornar-me outro,
ou sublimar-me no ar,
a aceitar minha decadência
e viver sem vida
como um inseto ou poeira
e perecer destruído
mas com o orgulho de ser quem sou!

Antes não ter de aceitar minha alma
- ou o que dela resta -
de volta,
e perder meu espírito, e sentir-me nu por dentro,
a regozijar-me por morrer em pedaços
mas com a alma intacta!

Antes uma não-vida em um não-lugar
a uma vida que não se percebe,
em um lugar que não se sente!

Agora
que a vontade de não-ser apodera-se
dos meus últimos pensamentos deveras aproveitáveis
e das minhas últimas verdades e suspiros,
digo adeus à vida e a Deus.
Agora não sou mais eu, nem o intermédio:
sou o outro.
Um outro que não sabe quem é,
nem porque é.

Mas vive.
Desalentado e indiferente a tudo, mas vive.


17:52 Falhe conosco:

 
Assim falhou Zaratustra. Assim falhamos todos. É duro, mas é real.
14:52 Falhe conosco:

 
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