Um blog para todos e ninguém, muito além do bem e do mal. Pode conter falhas, mas isso é tão humano. Demasiado humano. Caso eu digite errado, ofenda alguém ou mude de idéia posteriormente sobre algum assunto, já tenho minha desculpa: Assim falhou Zaratustra


























 
Arquivo (quase) morto.
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Todos os textos aqui presentes cujo autor não é citado são de minha autoria. Assim Falhou Zaratustra é alter-ego e pseudônimo de um pseudo-jornalista anônimo. Quase isso. Todos os direitos reservados, inclusive o direito de ir e vir. É proibida a reprodução total ou parcial deste Blog sem a citação do mesmo e do nome do autor. Um blog de Gérson Dalla Corte.

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Al Vacaeda





























Assim Falhou Zaratustra
 
Quarta-feira, Agosto 31, 2005  

"Fique certo de uma coisa, meu filho: se você mantiver seus princípios com firmeza, um dia lhe oferecerão excelentes condições de abdicar deles."

Millôr Fernandes


20:31 Falhe conosco:

Segunda-feira, Agosto 29, 2005  

Ao longe, ao luar

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.

Fernando Pessoa - Mensagem



23:25 Falhe conosco:

Domingo, Agosto 07, 2005  

AS DOZE DORES DA FÊMEA QUE NÃO VEIO

Padre Reinaldo, engraçadinho que é, foi quem me contou da lenda das Doze dores da fêmea que não veio.

Estávamos como sempre, Padre Reinaldo e eu, conversando em espanhol sobre as agruras atuais da presidência da República, os escândalos etc. Estávamos na biblioteca subterrânea do padre, iluminados pela lareira e pelos candelabros antigos da Igreja Católica, essas relíquias remanescentes d'antanho. O casarão no qual o padre vivia era também antigo e ficava ao lado da paróquia. O vinho foi esvaindo-se e, numa pausa com gravidade, Padre Reinaldo inquiriu-me:

- Sei que és um grande conhecedor de coisas, de histórias e de vidas, contudo veio à minha lembrança neste instante um caso que imagino não conheceres. Ouviste falar das Doze dores da fêmea que não veio?

Achei engraçado, mas Reinaldo continuou sério. Parei de rir.

- Não conheces. Concordo ser um nome deveras estranho, até cômico, mas é a lenda. Dizem alguns que tudo aconteceu mesmo, apesar dos poucos registros duvidosos encontrados.

Numa época tão remota quanto se possa imaginar havia uma tribo pacífica que vivia de subsistência, com pouco contato com pessoas de fora. A religião dessa tribo era única e, segundo o Padre Reinaldo, nada comparável é conhecido por nenhum dos maiores teólogos ou estudiosos do ramo. O sumo-sacerdote era sempre o mais jovem da tribo e seu choro na hora do parto, o anúncio de novos tempos. Raramente o sumo-sacerdote chegava aos três anos em seu posto, pois seu sucessor logo nascia e uma nova era era inaugurada. Segundo a crença deste povo, a sabedoria está no nascimento, a igualdade e a imparcialidade do recém-nascido proporciona ao povo um modelo igualitário de governo. Não há, dessa forma, oportunistas e possíveis ditadores, pois antes mesmo que saibam de sua relevância para a comunidade, é-lhes destituído o cargo.

- Mas como era organizada a vida social se o líder...

Padre Reinaldo me interrompeu com um gesto.

- Não se sabe. Os poucos registros que se tem notícia não são estudos antropológicos da sociedade, mas meras descrições curiosas sobre sua religião.

Eis que em uma época de grandes desastres climáticos, a tribo começa a sofrer pela falta de comida. E, segundo as palavras do Padre Reinaldo, quem não come não tem força pra fazer sexo.

- Quem não come, não come - observei divertido. O Padre sorriu condescendente.

- Então, o sumo-sacerdote, que por sua condição era melhor alimentado, chegou aos 15 anos, chefe de uma tribo de subnutridos, e com plenos poderes em mãos. Pode-se presumir que a tribo não durou muito depois disso.

- Mas o que isso tem a ver com as doze dores da fêmea que não veio?

- Ninguém sabe. Ela não veio.


13:10 Falhe conosco:

 
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