Um blog para todos e ninguém, muito além do bem e do mal. Pode conter falhas, mas isso é tão humano. Demasiado humano. Caso eu digite errado, ofenda alguém ou mude de idéia posteriormente sobre algum assunto, já tenho minha desculpa: Assim falhou Zaratustra


























 
Arquivo (quase) morto.
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Todos os textos aqui presentes cujo autor não é citado são de minha autoria. Assim Falhou Zaratustra é alter-ego e pseudônimo de um pseudo-jornalista anônimo. Quase isso. Todos os direitos reservados, inclusive o direito de ir e vir. É proibida a reprodução total ou parcial deste Blog sem a citação do mesmo e do nome do autor. Um blog de Gérson Dalla Corte.

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Al Vacaeda





























Assim Falhou Zaratustra
 
Domingo, Dezembro 25, 2005  

Merry Christmas

Kátia estava se acomodando, quando chegou Chan para fazer-lhe companhia. Cumprimentaram-se.

- Olá, meu nome é Kátia. Katiaça. E você?
- Sou Chan Panhe, prazer.
- O prazer é todo meu.

Kátia e Chan conversavam animadamente, enquanto ia servindo comida à vontade: um peru assado, arroz, saladas e, como sobremesa, uma salada de frutas com um creme fenomenal. Ficaram um tempo deliciando-se com a comida, quando surgiu mais um acompanhante.

- Veja, Kátia, é a Cer!
- Quem?
- A Cer, veja!
- Olá pra todas! - disse Cer animadamente - Como estão minhas amigas?
- Ótimas! - responderam em uníssono, sorrindo!
- Que bom, hoje estou animada, não quero ninguém dormindo, hein?

E foram as três, sacolejando, para a boate. Chegando lá, meia-hora na fila, mas entraram, e, de cara, encontraram a pessoa mais estranha da região. Não se contiveram e começaram a cochichar, assim que o avistaram adentrando o recinto.

- Quem é aquele?
- Não conhece?
- Não, mas confesso que nunca vi ninguém tão assim, digamos, estranho.
- O nome dele é Johnny, mas é mais conhecido como Uísque Zito. Cara estranho. Dizem que morou 8 anos em uma casa de madeira em formato de barril.
- É, parece que a casa era feita de carvalho.
- Que cara estranho!
- Olá meninas, disse Johnny, caminhando, como está a noite? Me parece de alta graduação!
- Não falei que era estranho? - cochichou Kátia para Chan.

Johnny não parava. Quando veio da Escócia, seu apelido era Walker, pois não parava de caminhar pra lá e pra cá, sempre entrando, a toda hora, nos lugares. Johnny olhou para Cer, piscou o olho pra ela e disse:

- Gostei de você Cer. Veja bem, fazemos um belo par, se a gente se misturar, podemos fazer loucuras, ficar doidos, caminhar bastante, entende, né? - e sorriu maliciosamente. Cer correspondeu:
- Gosto de caras diferentes. Vamos pirar o cabeçote!

Então Johnny e Cer se alternavam na dança. E o lugar começou a girar, a música alta, luzes piscando, Johnny e Cer se abraçam e se beijam, o estroboscopismo correndo solto, mão aqui e mão ali, Cer resolve ir embora, então chega a dona da festa, olhou pra Johnny e se apresentou:

- Olá Johnny!
- Olá. Conheço você de algum lugar.
- Já deve ter me visto por aí. Sou absoluta nas baladas. Prazer, Vodka.

Johnny tinha uma paixão por russas. Bebeu-a, gole por gole, saboreando-a. Depois beijou-a apaixonadamente e disse:
- To doidão.
- Estamos os dois. Me bebe mais.
- Num güento. O dono do recinto ejagerou dessa veiz. Muitos convidados pruma noite só. Vou reclamar com ele.
- Deixa ele. Tem que beber mesmo. Vamos dormir.

A boate Estômago então encheu-se de risóles de frango, o último petisco da noite, e todos dormiram abraçados, sorrindo, pensando alegremente nas nuvens faceiras do céu azul que amanhecia, a inebriante felicidade de beber e beber e beber e dormir bem, e tudo acabou-se feliz naquela noite de verão, Papai Noel sorria satisfeito e disse pra Mamãe Noel:

- Te amo, véia.

17:57 Falhe conosco:

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005  


O velhinho

- Próximo!

Aquele senhor, meio distraído, dirigiu-se ao caixa depois que o cutucão do rapaz que estava atrás o fez voltar à realidade. Chegou em frente ao guichê e ficou parado, a sorrir e a olhar, daquela maneira simples e humilde que só as pessoas simples e humildes do campo consequem sorrir e olhar. E ficou ali.

O caixa, já acostumado com a incerteza dos clientes, sempre perdidos no meio da agência, perguntou educadamente "O senhor vai fazer um depósito?". Um pouco em dúvida se falava ou não, acenou apenas com a cabeça, sugerindo que não. "O que o senhor vai fazer?" Nada respondeu, e sorriu timidamente. O caixa, começando a perceber os olhares inquietos do pessoal da fila, tentou de alguma maneira retirar o velhote do seu guichê. "Se o senhor precisa de ajuda no caixa-eletrônico, tem uma moça que fica lá na frente pra ajudar." Nada. O velho apenas sorria e, vez ou outra, trocava a perna de apoio. Sempre olhando para o funcionário, meio que pedindo desculpas por estar ali, mas, fazer o quê, é a vida, né?

Nisso o atendente do caixa foi chamado por um colega ao fundo da agência e, por uns instantes, esqueceu da existência do senhor, ao mesmo tempo que a fila crescia. Quando retornou, lá estava o velho, parado, sorrindo, com o bigode tapando a boca, o que dava um ar demasiado simples ao seu dono, mas, depois de todo esse tempo, esse mesmo ar simples não mais comovia o destemido caixa, já pronto para lançar mão de técnicas menos ortodoxas que às vezes usava para repelir clientes chatos.

"Se o senhor quiser, pode falar com o gerente, naquela mesa ali do canto, que ele resolve o seu problema", setenciou o caixa, mas o velhinho, imóvel, parecia não ouvi-lo. Repentinamente, como nas ocasiões mais difíceis de nossa vida, a agência inteira virou um silêncio só, como que para ouvir a argumentação do caixa e, se possível, rir de alguma eventual cena cômica. O caixa começou a ficar vermelho. Perguntou novamente, num tom mais alto "O que o senhor vai fazer?" e nada. Então, como último subterfúgio, fez o sinal que qualquer cliente de qualquer banco, por mais chato que seja, capta na hora e percebe que está sendo inoportuno. Virou a cara para a fila, ignorando o velhote, e disse: "Próximo". Nisso, o velho deu um passo à frente e colou no guichê, impedindo a chegada do outro cliente. Olhou, com timidez para o caixa, sorrindo. O caixa enraiveceu.

- Afinal de contas, que porra o senhor veio fazer aqui?!

Todos, clientes e funcionários, olharam na direção do caixa, perplexos. Chamaram o segurança que segurou o atendente, pois já subia no guichê para agredir o velhinho, ainda estático. Substituiram-no por outro caixa, o velhinho saiu, a fila seguiu normalmente e tudo ficou como mais um daqueles incidentes pitorescos que acontecem seguidamente nos bancos, e somente neles.

Mas o que trucida o rapaz que atendia, até os dias de hoje, é entender a razão do velhinho ficar estático à sua frente, sem esboçar uma reação, sem falar uma palavra, sem fazer nada, a não ser enervá-lo e tirá-lo do sério. E ele conta a seus colegas, até hoje, todos os dias, o que aconteceu no banco. E todos os internos do manicômio respondem, num tom indignado:

- Que cara doido.


20:48 Falhe conosco:

Domingo, Dezembro 18, 2005  

Nua, Crua e Dura

Contra a violência débil
da verdade, das veias,
do mútuo afogamento das palavras
e dos erros, foi cavado o túmulo soberbo,
o túmulo exagerado.
O túmulo necessário, preciso.

Vindouro d'outros tempos,
d'outras vidas, armou a vila
no centro remoto da inocência
e ali fixou-se sabedor
e triste.

Ali matou a verdade. Cavalgando nos morros
dos boatos e das florestas
caras-de-pau,
a verdade sucumbiu,
esfaqueada. Aterrorizada,
caiu do cavalo.

A verdade jaz nos terrenos pantanosos
do olvido e
nas areias movediças
do esquecimento.
Ouve-se que talvez um dia ressuscite.

A verdade é uma promessa
e pagamos por ela,
por sua morte infantil.
Por ela querer ser mais
pura, a mais pura
das verdades.



23:49 Falhe conosco:

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005  

Há a vida

Há um lugar distante, qual uma lua de um planeta desconhecido. Há a distância entre a lua e seu planeta. Há o vácuo, onde o som não se propaga, onde é frio, demasiado frio, demasiado humano. Há o eterno, o infinito, o futuro. Um buraco-negro, um hiato. Há a ânsia, o desejo, o desapego. Há a raiva, a revolta. Há o medo. Destino comum, meteoritos orbitam o planeta e sua lua. Meteoritos, cometas, poeira espacial e a vida. É a vida, seu início e ocaso. Há anéis, anelos, añoranzas, abraços, adeus. Há Deus.

Há desilusão. Há morte. Há esperança. Há a lua.



22:56 Falhe conosco:

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005  

A Via-Crúcis

Imagine um bar repleto de pessoas numa happy-hour de uma terça-feira qualquer em uma cidade aleatória, contudo quente o suficiente para que as pessoas, após seu longo dia de trabalho, sintam a necessidade de embebedar-se levemente. Numa dessas mesas, aliás, todas lotadas, se encontra um grupo de colegas que faz piadas, discutem as coisas de errado no escritório, flertam com as garotas que desfilam em suas roupas coladas, etc. Logicamente, como em toda mesa de bar, há as piadinhas nas quais reconhecemos figuras famosas do esporte, tv e afins, nos simples concidadãos que possuem uma leve aparência física semelhante.

Sempre há o Ronaldinho. Ultimamente, na verdade, o Marcos Valério tomou seu lugar. O Bussunda também é comum. E vez ou outra aparece um garçom com a cara do Robinho. E nessas idas e vindas de desconhecidos em meio ao tumulto de pessoas sentadas e outras em pé aguardando lugar, não mais que de repente, um dos caras sentado à mesa apontou para a entrada do bar e falou num tom sóbrio, como se fosse algo corriqueiro.

-Lá vem Jesus Cristo.

Todos sentados à mesa se voltaram para o referido personagem, que, tirando as roupas modernas e o cabelão preso, era incrivelmente semelhante a Jesus. No meio da multidão, Jesus olhou meio a contra-gosto para toda a multidão, pois percebia, naquele instante, que demoraria demais para sentar à mesa. Abriu os braços então e, em seguida, um clarão desceu dos céus em sua direção, como um holofote divino, e Jesus abriu caminho por entre as pessoas, como se caminhasse sobre mar, como Moisés abrindo caminho no Mar Vermelho. E as pessoas se afastavam à medida que Jesus caminhava, com a calma, a sobriedade - por enquanto - e a serenidade de quem sabe exatamente o que faz. Jesus chegou perto de uma mesa e a luz que abarcava Jesus expulsou-as dos assentos. Enfim, assim que o coro de anjos cantando "óóóó" cessou, Jesus sentou-se à mesa. Todos abismados. Foi então que Jesus, como nas profecias bíblicas, proclamou para que todos no local o ouvissem:

-Garçom, uma geladíssima!

19:24 Falhe conosco:

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005  

My Last Days

My last day will be something like
wind waving through my windows

The wanted last day
will rise behind the hills without the sun,
its companion

The nervous last day is a mystery
wandering around the cemetery of thoughts
upside-down the mirror

The critical last day
shines on my eyes, blinding the few
moments of vision for ever

The desperate last day,
like a knife cutting suntanned skins,
crosses my throat into million pieces
of meat, strategically

The final last day
is about to come...

...soon
in a cinema near you.


21:34 Falhe conosco:

Domingo, Dezembro 11, 2005  


Depois da noite de amor, das libidos e das emanações de luxúria e gozo em comunhão, no remanso pós-coital, apaixonadamente o rapaz sussurra no ouvido de sua amada:

- Tua pulcritude me inebria!

Até os dias de hoje, vez ou outra, ele deixa-se perder o olhar num vazio distante que o remete àquela noite. Desconsolado, tenta entender os motivos que a levaram a anatematizá-lo seculum seculorum e, chorando como uma comporta aberta de uma represa, lhe bater a porta na cara.


14:04 Falhe conosco:

 
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